Olá recém orfandado amigo felinomaníaco. Eis que nossa nave de patas largas e dentes afiados nos deixou. A dor da partida só foi compensada pela alegria de saber que nas águas de Pindorama nosso gato monstruoso foi o mais eficiente de todos e colheu mais pontinhos na frondosa árvore Volvo Ocean Race. Grrrr!!!
As margens do Itajaí-açu testemunharam dias de puro êxtase coletivo. A nova religião catarínica professa que aqueles que vão para o mar, devem retornar com láureas, prêmios, alvíssaras e, de preferência, uma coleção primavera-verão hiper hype para adornar o corpinho sarado.
Guimarães Rosa disse que a terceira margem do rio é o próprio rio. E sendo assim, travestido de prosa rosa derretida em mito do eterno retorno, podemos sonhar com a volta do bichano pródigo e seus iguais às águas turvas do Itajaí. O alcaide da cidade-festa já garantiu: retornarão. A cerimônia do adeus, com a multidão balançando sua saudade sob os tambores do Olodum, também aponta para isso.
Só que muito antes de olhar na bola de cristal da próxima circum-aventura, temos que nos ater a esta jornada que não teve ainda seu fim. A via crucis oceânica tem apenas nove estações, mas as provações não são menores. E no começo desta sexta perna que, para nós é epílogo, mas para o intrépidos guerreiros de Netuno é prefácio, as coisas andam até boas para nosso gatinho americano de botas aquáticas.
Figurando em terceiro na tabela que chacoalha a cada três horas, o Puma propulsado pela Berg, ao escrever destas mal traçadas era a mais veloz de todas as naves que sobem céleres a costa do Brasil varonil. Enquanto os kiwis mal calçados e os árabes irlandeses se aprochegam do Cabo Frio à frente dos irmãos, nosso gatão esperto controla os dois flancos e vai indo pelo meio. Garantindo que o jamón crudo e o queijo camembert não aprontem nada também.
Até os shoppings de Miami, muita água passará por debaixo das quilhas e com uma zona de calmas equatoriais, um caribe inteiro e os bancos das Bahamas (os de areia, não os de crédito) pelo caminho, nem mãe Dinah arriscaria um chute. Muito menos eu!
Para nós, que vimos até o céu chorar no derradeiro domingo da parada brasuca no tour do mundo, fica a feliz falta que nos fazem. Para este escriba, que já se acostumou à beleza deste design internáutico e às recompensas de ocupar este espaço, resta o orgulho de fazer parte novamente desta imensa nação Puma que congrega o melhor de todos nós.
Até a próxima, felinos guerreiros! Não deixem de frequentar este sítio e saber por onde “onda” o nosso gatinho. Que o resultado final nos seja favorável, mas que a aventura da jornada seja recompensa ainda maior! Até a próxima! Fui!
Murillo Novaes
“fica a feliz falta que nos fazem” – feliz nada!!!! A tristeza é total! Na última VOR não consegui vê-los de perto, esperei 3 anos para ver o gatinho e quando consegui tudo passou muito rápido! Só restou a sensação de vazio…. :’(